Sejamos falhos

19 de Janeiro, 2017

Sejamos Falhos

É difícil admitir o erro, pois somos bombardeados a todo o momento pela importância em alcançar o sucesso. A busca pela perfeição, inúmeras vezes ultrapassa o limite de saúde emocional, os relacionamentos precisam ser como contos de fadas, a carreira deve vir, necessariamente, acompanhada de sucesso e reconhecimento e isso deve acontecer o mais rápido possível. Nessa realidade o fracasso é visto como algo embaraçoso e constrangedor, que deve ser evitado a todo custo e, quando não tem jeito, escondido dos outros. Sabemos o quanto é difícil viver e, além disso, carregar o peso por não ter dado certo, algumas vezes. Admitir que somos falhos, é uma das tarefas mais aterrorizante que enfrentamos. Talvez não devesse ser assim.

Afinal só fracassamos quando tentamos fazer algo. Isso já deveria ser suficiente para reconhecermos que fracassar faz parte do processo de alcançar o que se almeja. Não fracassar é bem pior, pois representa a inércia ou, o medo de tentar. Na ciência ou nas artes, não fracassar significa não criar. Todo poeta, todo pintor, todo cientista coleciona um número bem maior de fracassos do que de sucessos. Então, sejamos humanos, sejamos humildes. Não precisamos contribuir para que viver seja mais difícil do que realmente é.

O sucesso não é de quem nunca fracassa, para quem magicamente, dá tudo certo. Não, pois o sucesso cobra o seu preço. Todo gênio passa pelas dores do processo criativo, pelos inevitáveis fracassos e becos sem saída, até chegar a uma solução que funcione. Não sejamos hipócritas. Temos muita força, mas vez ou outra, precisamos encontrar a angústia de fracassar. O fracasso garante nossa humildade ao confrontarmos os desafios da vida. Se tivéssemos sempre sucesso, como entender os que fracassam? Nisso, o fracasso é essencial para a empatia, tão importante na convivência social.

Que sejamos falhos. Somos passíveis de mudança, pela falha. Que possamos evoluir e crescer. Que consigamos lidar com a nossa falha e a falha do outro. A intolerância de lidar com o fracasso é como um espinho no pé, que sempre vai incomodar . Podemos até nos acostumar com a dor que ele causa. E tudo bem, né? Ninguém vê que ela está ali. No entanto, eu, mais do que ninguém, sei da existência dele e da tamanha dor que ela me causa, pois me impossibilita de caminhar com a leveza e conforto que mereço.

Luciana Petim
Psicóloga do NAP

CRP 07/24174


Luciana Petim Psicóloga do NAP