Considerações sobre o diagnóstico de TDAH na Infância

19 de Agosto, 2016

Podemos constatar que muitas vezes crianças desatentas, impacientes e impulsivas podem ser consideradas com diagnóstico de TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade). No entanto, muito deve ser considerado e analisado, pois a origem, causas e intensidade dessas manifestações de comportamentos diferem. Temos TDAH onde predomina a desatenção, outros apresentam sintomas de hiperatividade, além de sintomas combinados de desatenção e hiperatividade. Devido a essas diferentes manifestações, a avaliação desse distúrbio deve ser cuidadosa e considerar vários aspectos. Também é relevante considerar que agitação, desatenção, impulsividade e outros sintomas podem ser próprios do desenvolvimento da criança, podendo ser manejados com estratégias comportamentais e rotinas mais organizadas. A desatenção na criança pode se manifestar com alguns comportamentos como: parecer não escutar quando lhe dirigem a palavra; erros por descuido nas atividades escolares ou de rotina; iniciar várias tarefas sem concluí-las em tempo hábil; dificuldade de organização; distrair-se com estímulos que desviem seu foco de atenção; esquecimento frequente em atividades rotineiras, entre outras características. Quando falamos em hiperatividade, os comportamentos mais observados são: dificuldades em permanecer sentada, correr e escalar em contextos considerados inadequados; remexer os pés e a posição na cadeira de forma sistemática; falar muito, agitação constante, demonstrar uma “energia” e exagerada em determinadas situações. Já a impulsividade pode ser caracterizada com os seguintes sintomas: dificuldades em esperar a vez de falar; dar respostas precipitadas; ter atitudes inesperadas; comportamentos precipitados, muitas vezes incompreendidos pelos demais. A avaliação e diagnóstico desse transtorno infantil são complexos. Além de apresentar diferentes manifestações, existem comorbidades associadas a serem investigadas como transtornos de conduta e transtorno de oposição desafiador, além de transtornos de ansiedade, depressão e problemas de aprendizagem. Muitas causas podem ser apontadas pelo desenvolvimento do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade na infância. Porém, o que é constatado de forma significativa e unânime são os problemas psicossociais decorrentes desses comportamentos. Sabemos que crianças inquietas, impulsivas, impacientes e desatentas podem apresentar dificuldades de aprendizagem, fracasso escolar recorrente, podendo aparentar um possível atraso cognitivo. Podem ser alvos de rótulos, desenvolver sentimentos autodepreciativos, responsabilização e comportamentos disfuncionais. Muitas vezes, por desconhecimento das dificuldades que essa criança possa estar apresentando, vemos pais e professores com dificuldades de lidar com essas questões. A necessidade da realização do diagnóstico para a identificação do TDAH, de forma cuidadosa e criteriosa, é vital para a prevenção de problemas emocionais. Por não entender as causas de seus problemas, muitas crianças com TDAH desenvolvem baixa autoestima, pois se consideram pouco inteligentes, inadequadas, mal-educadas. Muitas dessas crenças negativas e de desvalor podem ser desconstruídas à medida que a criança começa a entender o motivo de suas dificuldades. Aprender a organizar sua rotina, melhorar suas relações interpessoais, lidar de forma assertiva com suas dificuldades, mudar a sua autopercepção sobre suas potencialidades, são os benefícios, entre outros, de um tratamento adequado da criança com TDAH.


Rogéria Leal Renz Psicóloga do NAP